quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NÃO HOJE

Às vezes penso que preciso de terapia ou ser internada mesmo. Tem dias que sinto um aperto tão grande no peito, uma agonia em estar viva que parece sufocar.

Uma agonia que como no poema “nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque”.
Esses dias eu chorei só de ver o rosto de uma menina. Era uma menina tão linda, com um rosto tão rosa que fiquei com pena dela por ter que estar viva como eu. Tinha cachinhos negros na cabeça e eles chacoalhavam ao som do mundo.

Me lembro muito bem de quando menina, rolando na cama e chorando muito. Meu irmão com uns 13 anos, sentado no pé da cama, me perguntava o que eu tinha, e eu não soube dizer. Disse que queria minha mãe, mas era mentira.
Eu chorava porque não queria morrer, mas não queria viver. Chorei porque as alternativas eram poucas e pensei ser tão injusto.

Talvez seja o período natalino que trazendo lembranças, vem mexendo com meu emocional. Talvez seja a arte de questionar que cresceu comigo como uma amiga peralta.

Talvez seja o som do choro que não me deixa em paz, o choro que segue ao redor do mundo, daqueles que não têm motivos pra rir. Então, penso eu, não rirei também, não hoje.


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.

Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles

4 comentários:

  1. A poeta preferida...

    Ha dias, Cinzentos, mas há muito mais dias límpidos.

    Preferiria um texto mais alegre, mas o que seria da poeta se não houvesse esses dias.

    Lindo!

    Beijo Cintia

    ResponderExcluir
  2. Ahhh, estamos juntos nessa. Adoro a melancolia, odeio os anti-depressivos. Eu te acompanho nesse voto de silêncio, um protesto mudo. Acho que a loucura vem com as respostas, daquelas perguntas quais teimamos todos os dias fazer. A ignorância é a forma mais fácil de felicidade, a sabedoria é o mais perto que se pode chegar da miséria sem estar nela. Eu não sei Cintia, mas esse seu texto é um pouco eu, ou era.

    Saudade, de vocês,....

    beijos.

    ResponderExcluir
  3. também sou contra os calmantes e os lexotans. Exceto nos dias em que se quer muito domir mas não consegue. hahahahaha.
    Se um dia eu descobrir uma forma de cura pra tudo, eu te passo. Senão a gente se interna numa mesma clínica. hahahhaa.
    beijo.

    ResponderExcluir