sábado, 25 de abril de 2009

DIREITO DE RESPOSTA DE UMA IRACEMAPOLENSE



“Não! Já não é a mesma praça.
Não são os mesmos bancos, não vejo jardim.
E flores? Flores, não há mais".

Me sentei na praça pra esperar uma amiga, não na minha praça ou da minha pequena Iracemápolis, mas, em outra.
Olhei as pessoas e o chão e tudo era tão sujo. Senti nojo por um instante. Ah ! esse meu vício de observar... quase sempre me causa nojo.
Eu poderia simplesmente sentar e esperar, talvez reclamar por ter que fazer um trabalho em plena sexta à tarde, reclamar porque ia gastar muito dinheiro com ele, ou porque tive que sair da minha cidadezinha pra fazer o tal do trabalho, mas, não consigo, eu quero ver aquilo que é tão novo pra mim, queria entender.
Eu mal consigo piscar, sou curiosa demais, é muito diferente do que eu entendo por praça.
Outras pessoas param pra descansar, muitas outras estão ali apenas esperando o próximo ônibus. Um homem dorme no banco ao lado do meu e as pessoas sentam-se ao seu redor. Tive a impressão de que elas não o viam.
Pedintes, muitos.
Sujeira, demais.
A diferença me salta aos olhos.
Outro dia, sai com a galera da faculdade, nós fomos pra Capitar conhecer a TV Cultura.
Como de costume eles não podiam deixar de “zuar” a Iracemapolense aqui e nem o meu sotaque é claro.
Comentários do tipo “ Hey, aquilo ali é um prédio” ou “ olha, ta vendo, aquilo é um semáforo”. Sim, são comentários preconceituosos, o fato de eu ser iracemapolense não significa que eu seja uma ignorante ou uma pessoa sem cultura alguma.
Então decidi postar a minha resposta, eu tenho esse direito!
Mas antes, quero dizer aos meus queridos amigos que entendo vocês e que não há nenhum ressentimento também, vocês só falam de algo que não conhecem, então me permitam....ok?!
Comecei este post lembrando um trecho da música composta por Ronnie Von, uma musica bonita que canta a saudade de um certo alguém num banco de praça e fala como tudo está igual, as flores e o jardim. Isso já não acontece mais, algumas cidades queridos amigos, só conhecem a praça que citei acima.
Mas, não quero falar mais delas, quero falar da minha, daquela que conheço desde que era pequena e que se conserva como sempre foi.
Outro dia de manhã fui ao centro da minha cidade por motivos de trabalho, precisei cruzar a praça, os velhinhos, já aposentados, se reuniam pra conversar, “ Trocar um minuto de prosa” como eles dizem, as crianças pequenas, que ainda não vão à escola estavam correndo em volta do coreto. Tudo estava em paz.
Naquela manhã, o sol parecia chegar mais perto de nós, as árvores são tão grandes aqui. Aquela visão alegraria qualquer um, até o coração mais triste.
No final do ano, encheram a minha praça de luzes, enfeitaram o coreto e assim, sem os compromissos escolares, nós, iracemapolenses, fomos ver os enfeites de Natal.
Logo, a minha pequena cidade faz aniversário, então todos nós, iremos à praça, vamos assistir a um mês de comemoração, shows. Vamos num domingo de manhã, assistir as crianças desfilar com seus uniformes de escola balançando as bandeiras do Brasil, do nosso Estado e é claro, da nossa pequena “ Cidade Lábios de Mel”.
Quando chega a primavera, vá à nossa praça, mas vá pela avenida. Lá os ipês estão floridos e traçam um caminho amarelo. Quando vem o outono, as flores caem transformando a visão em foto registrada pela mente, visão que não se esquece.


Enfim, meus amigos isso é apenas um pouquinho, da minha cidade sem grandes prédios, na verdade aqui só há um, sem semáforos e sem grandes points para o final de semana. Mas, é a minha pequena, onde eu acordo todas as manhãs e me deito as noites, onde eu descobri o que é poesia, não a poesia dos livros e sim, aquela que surge quando você respira fundo ao abrir a janela e sente. Depois você abre os olhos e percebe que a vida aqui, não passa de um presente.








(praça central de Iracemápolis)

6 comentários:

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  2. Hey!

      Há tempos não "vejo" essa praça como a "vejo" agora por esse post. A vejo sempre, sim, ontem mesmo parei diante dela logo pela manhã pra ir ao banco, mas não parei para "ver", não vi além da imagem gerada como resposta à captação da luz pelos olhos. É..., preciso voltar a "ver" o mundo.
      Lembro-me de quando era pequeno, antes de mudar pra cá (Iracemápolis), como morava em sítio (em Limeira, mas que era mais próximo do centro urbano de Iracemápolis que do de Limeira mesmo) tinha de vir pra cidade pra fazer compra no "Servebem", ou tomar injeção na farmácia do Wilson, comprar pano pra fazer roupas pra trabalhar, ..., e as vezes parava na praça... lembro-me do coreto, da "fonte-luminosa", de como os bancos de cimento e pedrinha (aqueles sem costas) que circundavam (e que assim permanecem) as áreas de vegetação pareciam infinitos aos olhos que "malemá" enxergavam por cima... Ainda existe aquele abricó-de-macaco (não, eu não sabia o nome, acabei de descobrir, inclusive achei fotos do próprio [O da praça]) próximo ao coreto?
      Também me lembro da época em que já morava aqui e frequentemente ia (algumas vezes de bicicleta, outras a pé) ao centro, parava na praça pra tomar sorvete da sorveteria do Zé ou do Miguel, e ficava vendo ninguém menos que meu pai já no fim de mais um dia de trabalho varrendo a praça, com a vassoura de bambu já quase sem folhas, e já com vários sacos cheios de lixo e folhas das árvores. Naquela época ele varria a praça toda sozinho. Depois eu o acompanhava até o almoxarifado para "picar o cartão" e íamos pra casa.
      Quando eu estudava em Limeira o pessoal também zuava Iracemápolis. Isso ainda foi bem na época em que cercaram a cidade. Eu morava no "cercadinho". E o pessoal do trabalho também não fica(va) atrás, ainda mais quando eu parava num semáforo e dizia "em bate-pau num tem sinalero", ou: "lá em bate-pau não tem essas coisas". Ficaram espantados quando eu disse que haviam bancos aqui! E loja de informática então! Mas tudo na brincadeira.
      Hmm... e por falar em praça, a "daqui de cima" (fica só há alguns metros de casa) está ficando bonita, as árvores ainda estão bem pequenas, mas crescerão. Só não tenho, ainda, histórias dela pra lembrar.
      Eu gosto da tranquilidade daqui, da coisas simples, da falta de congestionamentos. Há, claro, coisas das quais não gosto, mas não saio daqui tão fácil não.
      Valeu pelo post. O texto ficou ótimo, e a foto também, incrivelmente viva. Você quem a capturou?

    Continue escrevendo (e fotografando se a resposta à pergunta acima for sim :).

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  3. Obrigada mesmo pelos comentários.
    Espero continuar sim!
    E a foto não é minha não. Encontrei em um blog sobre imagens e fotos assinado por Murilo Fazanaro, acredito então, que seja dele.

    Abraços!

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  5. É Ci esse é o valor das pequenas coisas, coisas estas que não tem preço...
    E que poucas pessoas são privilegiadas de viver e dar este valor!

    É uma bela resposta Cintia Ferreira!
    Bjão

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  6.   Sim, ainda existe aquele abricó-de-macaco lá... sentei-me num daqueles bancos que fazem o contorno da vegetação uma manhã dessas e fiquei "vendo" as árvores... e lá estava ele.

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